segunda-feira, 15 de março de 2010

Capítulo 23 ~ Mal-Estar

Ninguém se atreveu a abrir a boca diante do Luan que acabei de conhecer.

Claro, depois disso tudo, minha vida estava mais comentada do que se estivesse num reality show. Ouvi de tudo que você pode imaginar. Ouvi dizer que meu pai vai se casar com a mãe dele porque estamos ficando sem dinheiro. Ouvi dizer que Luan estava: ou tentando aparecer, ou apaixonado loucamente por mim, ou ambas as hipóteses. Pior de tudo, algumas pessoas juram ter visto trocas de olhares comprometedoras minhas com Luan e têm certeza absoluta do romance – sigiloso, de acordo com certas fontes, por causa da religião dos nossos pais que desaprovam o relacionamento. Fora todos os comentários de que eu, Phil e Luan, somos um grande triângulo amoroso.

Acho que nunca me senti tão popular.

O engraçado é que ninguém comenta a história real: meu pai e Victoire se apaixonaram, formaremos uma família feliz e Phil é doente.

O pior é que não é brincadeira. Verdadeiramente acho que esse cara tem alguma energia anormal, uma "força" macabra que o impede de deixar minha vida em paz. Eu garanto, ou é problema de verdade, ou é crise de identidade, ou ele simplesmente cheira alguma coisa.

Quer dizer, não foi culpa minha, tenho a consciência tranqüila. Meu pai decide sobre a vida dele (infelizmente), é adulto, tem casa própria, sabe dirigir e paga minhas contas. Nada mais justo do que eu permitir que ele siga sua própria vida e deixe que se apaixone. Eu não consigo nem cuidar da minha direito. Alguém pôr a culpa dessa situação toda sobre mim é inaceitável.

E foi Luan quem disse!

Quando saímos do pátio, fiquei meio sem saber para onde ir, então só guiei a manada para qualquer lugar. Por fim, acabamos parando perto das salas do primário, encostados na cerca do parquinho. Nara parou ao meu lado, com a mão no queixo, pensativa. Luan pendurou-se na grade, parecendo querer incendiar os balanços das pobres criançinhas inocentes. E eu, confortavelmente, apoiei minhas costas e fiquei admirando tudo, com uma certa expectativa no rosto. Nara, ainda não aceitando a situação, foi a primeira a confirmar meus palpites, procurando explicações lógicas para tudo, articulando possibilidades. Eu, por minha vez, já tinha aceitado que o cara é maluco, só isso. Não seria a primeira vez que encontro caras problemáticos, qual é a novidade? Para mim, Phil é apenas mais um insano que nasceu para me perturbar.

— Não é possível. Ele deve saber de alguma coisa mais. Deve ter algum motivo para acreditar que Lune é responsável por algo.

— Motivo para acreditar? Motivo? Me diga, Nara, o que levaria qualquer pessoa normal a jogar a culpa disso em Lune se simplesmente não há culpa?

— Bom, não sei… alguém pode ter dito que foi Lune que uniu seus pais, por exemplo, não dá pra saber, só…

— E Lune é DEUS? – Luan falou com um sarcasmo ardido que fez Nara, a pessoa que conheço mais fascinada por discussões, arregalar os olhos.

Anh… oi? – arrisquei uma pequena tentativa.

— Ela agora ORDENA que pessoas se apaixonem umas pelas outras?

Não deu.

— Bom, ela poderia ser…

— Ah! Já sei! Lune é o próprio Cupido encarnado, que tem o poder de obrigar a raça humana a se apaixonar, que acha? – a ironia de Luan alfinetava cada centímetro da corajosa oponente – que tipo de lunático acreditaria nisso?

Mais uma vez, ela se calou, dessa vez ficando com as bochechas coradas.

E eu sei o porquê. Sei exatamente o que ela estava pensando e também sei o quanto ela se envergonha disso. Ela me olhou pelo canto dos olhos e eu acenei levemente com a cabeça, sinalizando um "não".

Entendi perfeitamente a pergunta feita pelo olhar dela, por mais óbvia que fosse a resposta. É claro que eu não tive nada a ver com o sentimento de Victoire pelo papai, mas sei que as especulações de minha amiga sobre mim ultrapassam o limite do racional, então, simplesmente respondi. Não quero mais discussão do que já temos, além disso, ela está confusa, coitada. Nunca perdeu uma discussão antes e tem uma melhor amiga bruxa. O fardo não é para qualquer um.

Mas ainda não tinha, realmente, me concentrado na discussão. Até agora estava só olhando para Luan, notando como ele está maravilhoso, mesmo com a cabeça explodindo de raiva. Ah, é que ver como os caras ficam furiosos quando alguém se mete com alguma garota já é algo bem atraente de se observar, mas quando você (no caso, eu) é a garota em questão, acreditem, é bem melhor. Não sei o que acontece comigo, mas ser a única a ver essa criatura agarrada na grade, olhando para o chão e bufando é muito, muito legal mesmo. Mesmo que a coisa legal seja alguém perdendo a cabeça de ódio.

Eu sei, a vida é um paradoxo muito grande às vezes.

…O.k., o.k.! Nara também está vendo. Sermos as únicas a ver essa criatura agarrada na grade, olhando para o chão e bufando é muito, muito legal mesmo.

Ah, viram? Não fica a mesma coisa.

— O cara é um completo idiota, então, tudo certo? – ele termina, com um sorrisinho cruel. Eu sei que está sendo muito… "arisco", mas acho que essa não é a verdadeira intenção dele. Acho que deve ter só perdido a cabeça. Como eu não sou exatamente uma pessoa calma e racional – calma talvez, racional dificilmente – não sei muito bem como é para ele ficar irritado assim. Mas, pelo que eu percebi, não se deixar levar pela ira constantemente causa algum tipo de acúmulo de emoções que, quando sai uma, todas vão atrás. O problema é que: quem atura somos nós.

Os olhos de Nara, mesmo com todo o esforço da dona, começam a ficar um pouco mais brilhantes. Conheço minha amiga e ela sabe que a fúria de Luan não se dirige exatamente à sua pessoa. Porém, também sei que Nara não consegue suportar grosserias, ainda mais injustamente. Por isso, pude adivinhar que seus olhos mais cedo ou mais tarde ficariam mais brilhantes e, de fato, ficaram. Não é culpa dela, apenas acontece.

Mesmo me deliciando em ver suas bochechinhas vermelhas, talvez seja a hora de Luan voltar a ser o cara de antes.

— Luan – digo mansa e com cuidado. Ele gira a cabeça para mim como se tivesse esquecido da minha presença ali. Meio assustado, corre os olhos por nós duas. Nara disfarça, olhando rápido para o chão, porém, ele parece notar seus olhos lacrimosos e assume alguma expressão arrependida.

— Obrigada pelo que fez hoje… – volto a falar com um sorriso, para quebrar o clima negativo – mas que tal esquecer isso tudo?

Luan me encara por alguns instantes e, como se seus braços pesassem uns 53 quilos, solta a grade e se vira, encostando-se nela. Com muito cuidado – e tomada por uma coragem que temo não voltar por uns 15 anos – ergo minha mão e a apoio no alto de seu braço, tentando confortá-lo.

Por um segundo, pensei que Luan fosse me chutar, arremessar ou algo do gênero. Mas, depois, foi como se o mundo todo se iluminasse e sorrisse para mim, tipo uma menininha, ao ganhar o presente mais desejado no aniversário.

Ele suspirou, me olhou bem nos olhos e, subindo sua mão até a minha, envolveu a ponta dos dedos nos meus, de uma forma totalmente encantadora.

E é isso, não adianta fugir de nós mesmos. Quando a vida te prepara coisas interessantes e sua avó meio maluca ainda as prediz, é porque vai ser assim, não importa o quanto você fuja e resista. Pelo menos, quando se trata de coração, é como funciona.

Desde que o vi entrar naquela sala, desde que me senti formigar da cabeça aos pés, desde que levei choques por sua causa de um colar dotado de vida própria, eu deveria ter aceitado de uma vez o que se passava pela minha cabeça. O que eu sentia era a realidade pura e verdadeira.

E agora cansei.

O.k., admito.

Não sei o que se passa pela cabeça dele, muito menos se é recíproco. Mas o fato é que, pela primeira vez na minha vida, acho que estou gostando de alguém.

Isso mesmo.

Eu, Lune Noire, estou apaixonada.

Tudo bem, "apaixonada" é uma palavra forte, não tenho certeza de que isso não passa de uma atração porque o cara é lindo, fantástico, misterioso, gostoso (com o perdão da palavra) e… muito mais. Na verdade, acho que a gente nunca tem certeza.

Claro que, como toda garotinha crente de ter encontrado seu príncipe – sem saber se o tal príncipe acredita ter encontrado uma princesa – não consegui me livrar da praga que acompanha todo o amor platônico: a tal da esperança.

A esperança é o tipo de sentimento que não deveria vir acompanhada do amor não correspondido. Existe maior desgraça? Por culpa dela, as garotinhas encantadas ficam criando relações sentimentais para tudo que um cara faz em respeito a elas. Se a vítima empresta uma borracha: está apaixonado. Se a vítima oferece uma carona: está tentando ficar perto. Se a vítima olha: estava admirando.

Ah, que inferno!

Por causa dela, a esperança, menininhas tomadas pela paixão se declaram para o carinha de quem estão a fim e, muitas vezes, levam um pé na bunda. Por causa dela, me pego pensando se Luan não estaria tornando meus sentimentos recém descobertos recíprocos, ao retribuir meu afago.

Sempre, em toda minha vida, senti pena das colegas que assistia, eventualmente, se deixarem levar nas asas da esperança e acabarem com a cara amassada num poste do amor. Me preparei, criei teorias, meditei e me auto-protegi deste mal incontrolável da mente apaixonada.
E agora, cá estou eu.

Claro, minha atitude imediata foi me desvencilhar desse pensamento. Não, muito obrigado, não quero dar ouvidos à esperança e acabar de cara no chão mais tarde.

Não, com Lune Noire será diferente!

Por isso não me iludi quando, no segundo que nossos olhares se encontraram, eu achei verdadeiramente sentir (achar verdadeiramente, isso faz sentido?) que era um sentimento mútuo. Pelo menos, eu tentei não me iludir.

Não há como explicar por que estou dizendo isso, mas foi como se eu estivesse dentro da cabeça dele, dentro dos seus olhos, ouvindo eles me contarem tudo, me contarem que era real. Dentro da minha cabeça, seus olhos me pegavam no colo e me faziam acreditar que enquanto estivessem ali, eu poderia esquecer de mim.

E isso me deixou feliz.

E, com a felicidade, veio aquele calorzinho acolhedor, que subia pelo braço até o centro do peito, então, espelhando-se nos meus olhos, em forma de lágrimas. Ou quase lágrimas, pois não choro e não tenho certeza se apenas ter água nos olhos pode ser definido como lágrima.

Estranho, não?

Acredito mal estar conseguindo descrever como é esse sentir. Só posso afirmar… que não é o tipo de coisa que acontece com todo mundo. Porque, de certa forma, eu sinto isso. Um sentimento de tanto apreço e tanto prazer que tenho medo de não poder aproveitá-lo para sempre. E, seja pessimismo ou temor, algo me incomoda. Nele. No sentimento. Em alguma coisa… algum tipo de peso que não me deixa estar tão feliz quanto acredito que seria o comum estar.

Eu quero estar. Eu quero viver isso, sempre.

Não está entendendo nada? É, pelo menos agora sabe como eu me sinto.

Ah, e por favor, se alguém aí já tiver se apaixonado de verdade, dá pra escrever uma carta dizendo se isso é previsto? Sabe como é, tem gente (eu) que vive tanto tempo num mundo surreal que, quando precisa, não sabe identificar uma situação "comum".

Ah, ajuda dizer se a veia dramática vem junto.

Bom, sendo paixão ou não, o importante é que me rendi e não tenho mais vergonha de admitir que minha vontade, agora, é ver ele se virar e me dar um abraço. Um abraço apertado, daqueles aconchegantes, em que seus braços envolvem minha cintura e me apertam forte.

Porém, como não se pode ter tudo na vida, eu fico feliz com seus dedos juntinhos dos meus assim. Já está de bom tamanho.

Caramba, quero chorar.

Não deveria ter gritado com Phil, afinal, ele disse a verdade. Eu estou caída por Luan. E, não havia notado isso antes, mas o fato de nós morarmos juntos realmente complica as coisas, na atual circunstância. Nós vamos morar sob o mesmo teto, mais cedo ou mais tarde, e o que vai ser da minha vida? Tudo bem, vamos esquecer da maldita incerteza por enquanto, vamos supor que eu não me esqueça dessa droga de paixão por um bom tempo. Nossos pais se casam e vamos morar na mesma casa, dividindo corredores, cozinha, e o pior, o aparelho de som.

Se esse sentimento não for correspondido, meu Deus, como vai ser quando ele arranjar uma namorada? O que vou fazer? Não, imaginem só: ele chegando em casa, apresentando a todos sua pretendente e sua pseudo-irmã estaria ali, sentada, assistindo e desejando mais do que tudo estar no lugar dela, sendo obrigada a viver com uma constante e bonita dor-de-cotovelo.

Ah, não. E o pior não é isso, vem agora: COMO vou ficar se ele arranjar uma que seja meiga, pequena, delicada, tenha olhos azuis e lindos cachos cor chocolate? Ela vai se sentar à nossa mesa, desdobrar o nosso guardanapo, colocar no colo e vai fazer uma oração, mais bonita, muito mais bonita do que qualquer uma minha, agradecendo a Deus pela sua vida maravilhosa, pelo seu namorado maravilhoso e pela maravilhosa família dele. Ela vai querer ser minha amiga e eu vou gostar dela porque ela será perfeita e querida demais. Vai me convidar para ser madrinha do casamento deles.

Oh, isso sim seria um belo de um pesadelo, não?

Ponha-se no meu lugar, você também não gostaria de morrer? Tudo bem, morrer é demais, também acho. Quem sabe entrar em coma. Alcoólico.

Bom, não é tão desesperador assim, eu posso me juntar à irmãzinha dele e o espiar sem camisa no quarto.

Chegando em casa, já estava mais do que decidido que o plano seria: alimentar os animais e cair na cama. Despeço-me dos meus coelhinhos, vendo suas carinhas tristes por causa da falta de atenção do dia, e subo para meu quarto, desejando mais do que tudo uma cama. Todas as descobertas e acontecimentos do dia giravam dentro da minha cabeça e a única forma que via de fugir disso era pegando no sono – apesar de que, com minha sorte, muito provavelmente acabaria sonhando com Luan.

Apago a luz e, sem nem tirar o uniforme, entro em baixo do lençol lilás e admiro por alguns minutos os carneirinhos do papel de parede sob a luz amarelinha do fim do dia. Literalmente, contando carneirinhos.

Não sei quanto tempo depois, pois acredito ter cochilado, ouço a porta da frente se abrir e passos subindo as escadas, seguido por alguém entrando no quarto. Mal me dou ao trabalho de subir as pálpebras, apenas vislumbro o borrão que se tornou meu pai, segurando alguma coisa que não consegui e nem tentei descobrir o que era. Ele falou algo, mas não prestei atenção, já estava novamente sendo vencida pela vontade de dormir. Ainda consegui assistir ele depositar os embrulhos sobre a penteadeira e escutar uma pergunta, mesmo não entendendo seu significado. Grunhi um som de consentimento qualquer e nem o esperei fechar a porta, apenas me deixei embalar e embalar… e embalar…

Acordo horas depois, com frio. Sentindo o vento da porta da sacada aberta, me xingo mentalmente por tê-la esquecido assim. Estranho, nunca esqueço de fechar.

Grogue, abro os olhos lentamente, um mais do que o outro, e alguma coisa está diferente. É como se alguém tivesse jogado vários sacos de glitter por todo o quarto, sensação parecida com a de quando vi Luan pela primeira vez. Tudo está brilhando, o ar, os móveis, o teto e até eu mesma. Penso se não estou com algum problema na retina e, não sei se faço bem ou mal, sento na cama. Então, sinto tudo girar e minha cabeça lateja loucamente enquanto, mais uma vez, tento enxergar alguma coisa, porém, minha visão falha, como se estivesse indo e voltando, e sinto dor ao direcionar o olhar para um grande brilho perto da sacada.

Vencida, decido fechar os olhos definitivamente. Tendo agora apenas os outros sentidos, tento me levantar e caminhar até a porta, mas quando o faço, tudo piora. Sinto como se toda energia fosse sugada do meu corpo, meus braços parecem ter carregado uma carroça por quilômetros e estão tão sem vida quanto minhas pernas. Simultaneamente, meu colar assume um peso assombroso e uma dor fina corta minha nuca de ponta à ponta, o que me faz ficar meio inconsciente. A impressão que tenho é a de que minha cabeça está desconectada de todas as outras partes do corpo e qualquer movimento que faço é pura sorte.

Procuro a mesinha ao lado da cama para tentar acender o abajur, mas não consigo saber onde nenhum deles está e, sabe-se lá com que estímulo, impulsiono meu tronco para frente, na esperança de conseguir me segurar nas cortinas. Porém, elas fogem dos meus dedos e acabo, sem querer, com o ombro direito colado no vidro da porta.

Possuída por um mal-estar nauseante e um desespero nada mais do que justificável, mais uma vez, abro os olhos. Então eu surto ao ver através do pedaço de cortina preso pelo meu corpo a sombra de um animal enorme.

Eu amo os animais. Eles me fazem bem e me sinto feliz ao lado deles. Mas ao assistir aquele cão gigantesco, dando seus passos pesados e lentos em direção à entrada da sacada, eu não senti nada mais do que medo. Medo de morrer.

Entro em um choque de horror e não tenho chance nem de pensar. Só o que consigo notar – além dos latidos alucinados de Roget, o Rottweiler da vizinha – é meus joelhos vacilando, a visão sendo sugada e a sensação de cair nos braços de alguém.

Depois disso, mais nada.

3 comentários:

  1. Ai meu Deus!!! Estou amando taaanto essa historia!! Cara o Luan é totalmente demais... Por favoooor posta maaaais!!!
    Eu fico muito feliz que vc tenha terminado de escrever!! Eu sou uma que começa a escrever e nunca termina... sei lá eu nunca gosto dos meus começos, ai eu não consigo ir muito adiante... frustrante!! Mas então, eu quero mais... porque essa historia é incrivel, eu quero saber desesperadamente o que vai acontecer com a Lune!!!

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  2. Aline, tu já sabe que nós gostamos mas temos preguiça de trazer a pag. até o final para postarmos um "Post mais" aqui. Mas eu fiz um esforcinho (o que nao é facil, considerando o fato de que eu fiquei a madrugada inteira acordada) para que uma das minhas escritoras favoritas POSTE ALGUMA COISA PELO AMOR DE DEUX!

    Poste, por favor. ;p

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